Recentemente, uma polêmica tomou conta das redes sociais no Tocantins, onde uma lista com nomes de empresas, comerciantes e trabalhadores virou alvo de um boicote. O documento sugere que a população evite contratar serviços ou adquirir produtos desses profissionais, sob a alegação de que estariam apoiando o ex-presidente Lula (PT) em suas posições políticas. Essa situação gerou uma reação imediata da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO), que emitiu uma nota de repúdio contra essa prática.
A iniciativa de boicote, que circula em aplicativos de mensagem, orienta os cidadãos a não apenas parar de comprar, mas também a não admitir funcionários que estejam na lista. A OAB-TO, em sua nota, enfatiza que a exposição pública de pessoas por suas preferências políticas fere os princípios da liberdade de expressão e da pluralidade de ideias, fundamentais em uma sociedade democrática.
Vale lembrar que, nas últimas eleições presidenciais, Lula derrotou Flávio Bolsonaro em âmbito nacional, embora no Tocantins a preferência tenha sido para o candidato do PL, que obteve 51,37% dos votos válidos, contra 48,63% do petista. Essa disparidade entre os resultados locais e nacionais pode estar alimentando um clima de polarização ainda mais intenso nas cidades tocantinenses.
A OAB-TO reiterou em sua declaração que práticas que resultem em constrangimentos e discriminação devem ser combatidas e que a defesa dos direitos fundamentais é prioridade. A entidade manifestou solidariedade aos atingidos e se comprometeu a acompanhar a situação, especialmente em relação à proteção dos advogados e ao exercício da profissão de forma independente.
O g1 tentou contato com a Secretaria da Segurança Pública e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para saber se existem investigações ou denúncias relacionadas a demissões por motivos políticos, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.



